17.8.11

A origem do cacau

O cacaueiro cresce em regiões de floresta pluvial da América Latina, do Peru até o México. Foi citado pela primeira vez na literatura botânica por Charles de l' Ecluse que a descreveu como Cacao fructus.
Botânicos acreditam que o cacau é originário das cabeceiras do rio Amazonas, tendo se expandido por duas direções principais: Criollo (em direção ao norte para o rio Orinoco, penetrando América Central e sul do México) e Forastero (na bacia amazônica, em direção as Guianas).
Quando os primeiros colonizadores espanhóis chegaram a América, o cacau já era utilizado pela civilização Olmeca nas terras baixas do Golfo do México em 1.500 a.C. Pouco tempo depois foi cultivado pelos Astecas, Toltecas e Maias. Em Puerto Escondido, Honduras, arqueólogos encontraram vestígios de uma plantação datada de 1.100 a 1.400 a. C.
De acordo com os historiadores o cacaueiro que se desenvolvia naturalmente entre as florestas, chamado kabkaj, era considerado sagrado. No México os Astecas acreditavam em sua origem divina e o profeta Quatzalcault ensinara ao povo como cultivá-lo tanto para o alimento quanto para embelezar os jardins da cidade de Talzitapec. Seu cultivo era acompanhado de solenes cerimônias religiosas.
Das sementes fazia-se uma bebida amarga chamada kabkajatl geralmente temperada com cravo e pimenta. Resíduos encontrados numa peça de cerâmica maia de Río Azul na Guatemala sugerem que já era utilizado como bebida no ano 400 d.C.
Os índios consideravam as sementes de cacau tão valiosas que as usavam como moeda. O imperador Montezuma costumava receber anualmente 200 xiquipils (aproximadamente 1,6 milhão de sementes, o equivalente a 30 sacas de 60 quilos) como tributo da cidade de Tabasco.
"Abençoado dinheiro, que fornece uma doce bebida e é benefício para a humanidade, protegendo os seus possuidores contra a infernal peste da cobiça, pois não pode ser acumulado por muito tempo, nem escondido nos subterrâneos." (Martyr, 1530)

Dictionnaire de botanique by Henri Ernest Baillon et all

Esse significado religioso provavelmente influênciou o botânico sueco Carolus Linnaeus (1707-1778) que nomeou a planta como Theobroma cacao em 1753, chamando-a de "alimento dos Deuses".

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